Violência sexual contra a mulher


Projeto de extensão fomenta debate sobre o tema

Publicado em 26/4/2018

A terceira edição do encontro Diálogos na Academia, projeto realizado pelo Núcleo de Pesquisa e Extensão do Escritório da Cidadania, recebeu alunos de todos os cursos para debater a “Violência Sexual Contra a Mulher: Políticas Públicas e Formação Profissional”, com o objetivo de fomentar a discussão acerca do tema. Promovido pelo Escritório da Cidadania, o evento lotou o auditório da Biblioteca Central, no campus Olezio Galotti, para a palestra da professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Ludmila Fontenele Cavalcanti, nessa quinta-feira, 26.

A violência sexual é uma das manifestações da violência de gênero considerada um fenômeno multifacetado com raízes histórico-culturais. No Brasil, a cada 11 minutos uma mulher é vítima de violência sexual, segundo o anuário brasileiro da segurança pública. “O ato prejudica a mobilidade, o desempenho profissional, a saúde mental, física e reprodutiva da mulher. A violência sexual contra a mulher envolve controle, dominação e subordinação da sexualidade da mulher nas relações de gênero que tornam mais evidentes a hierarquia e desigualdades sexuais”, pontuou Ludmila.

O fomento do debate é o pontapé inicial para a mudança da sociedade. “Outro modo de enfrentamento é que, dentro dos movimentos estudantis, os alunos pensem em pequenas ações que contribuam com o enfraquecimento da cultura do estupro, para discutir as relações de gênero não só dentro do ambiente universitário, mas na sociedade como um todo”, completou a professora.

Tema interdisciplinar

Essa foi a terceira edição do evento que é aberto para todos os cursos com um tema interdisciplinar. “No ano passado discutimos a Geopolítica na Amazônia e na primeira edição abordamos Publicidade Infantil. O assunto se caracteriza como um tema transversal a vários cursos e todos os profissionais que, em alguma medida, vão trabalhar com alguma mulher vítima de violência precisam estar com o debate afinado”, comentou a professora responsável pelo evento, Danielle do Val.

A aluna do primeiro ano do curso de Enfermagem, Tainá Lopes, acredita que o tema precisa ser mais discutido em sala de aula. “Não só nos torna profissionais mais qualificados, como também pessoas com o senso crítico embasado teoricamente para futuras discussões”, acrescentou a futura enfermeira.

Durante o curso de Direito, os alunos encontram o tema em diversas disciplinas, segundo a coordenadora, Úrsula Amorim. “Além das matérias humanísticas, que são voltadas para a reflexão interdisciplinar, a violência sexual contra a mulher é debatida nas aulas de conhecimento técnico para que o aluno aprenda como proceder nesses casos. O debate contextualizou os atendimentos jurídicos e sociais que a vítima recebe, o que enriquece a formação acadêmica dos futuros profissionais”, concluiu.


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