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"Surdos podem fazer tudo que os ouvintes fazem, menos ouvir"

Campus Tangerinal forma primeira aluna surda - 03/07/2018


Jovem concluiu o curso de Gestão de Recursos Humanos na última semana

As experiências pessoais no mercado de trabalho foram o principal ingrediente para o Trabalho de Conclusão de Curso de Maria Otávia Azevedo Diniz Moreira, a primeira surda a se formar no campus João Pessoa Fagundes, no Tangerinal. Na última quinta-feira, 27, a aluna do curso de Gestão de Recursos Humanos defendeu seu TCC “Aspectos Relevantes do Recrutamento e Seleção de Pessoas com Deficiência na Busca de uma Inclusão Justa e Qualificada”.
A escolha pelo curso, dois anos atrás, não foi ao acaso. Maria Otávia, que nasceu surda, já tinha experiência no mercado de trabalho e observou que o número de pessoas com deficiência era muito pequeno, mesmo nas grandes empresas. “O interessante é que a empresa desenvolva dinâmicas em relação à diversidade no sentido de aumentar a gama de talentos, pelo fato de hoje se recrutar pessoas com alguma deficiência. Mas é possível verificar casos de empresas que nem sequer cumprem com esses requisitos mínimos legais, que estão previstos na Lei de Cotas”, pontuou a formanda.
Com o apoio da mãe, a jovem foi em busca do sonho. Entrou na faculdade e já está trabalhando. “A faculdade não é fácil, mas a gente é capaz, a gente tem que insistir, não pode desistir. E agora passei, já estou terminando e já trabalho na CSN”, disse Maria que baseou seu TCC na dinâmica do processo de recrutamento e seleção das pessoas com deficiência e nas práticas necessárias à inclusão desses profissionais.
No UniFOA, Maria Otávia contou com a ajuda de uma intérprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais). Lucimara dos Santos, a ponte mediadora entre a comunidade ouvinte e a comunidade surda no processo de inclusão. “Para ela não existem barreiras. Gosta de ser tratada com respeito. É uma aluna de grande potencial. Gosta de fazer as coisas de forma independente”, salientou Lucimara.
A coordenadora do curso de Gestão de Recursos Humanos, Patrícia Nunes Costa Reis, que orientou Maria Otávia no TCC, também destacou o comprometimento e a qualidade do trabalho da aluna.- É uma pessoa que resolve as questões, ela consegue vencer obstáculos com muita facilidade. Queria parabenizá-la pelo projeto e dizer que agregou muito valor. Ela sempre trouxe informações para mim e discutíamos muito o assunto. Isso ajudou muito na questão da resiliência, que eu muito aprendi com ela no decorrer da nossa convivência. Hoje eu vejo que orientá-la foi a coisa mais fácil e gratificante que me aconteceu nos últimos tempos, frisou Patrícia.
O resultado de tanto empenho e dedicação foi uma nota 10 no TCC. “Quero mostrar para as pessoas que os deficientes existem e também podem trabalhar dentro das empresas. Esse projeto é uma forma de motivar, de incentivar. Para poder evitar problemas que existem no Brasil, como o preconceito. Para que também possamos mudar a vida desses deficientes”, ressaltou Maria.
Para saber mais – No último Censo Demográfico do IBGE, feito em 2010, 45,6 milhões de pessoas declararam ter pelo menos um tipo de deficiência, seja dotipo visual, auditiva, motora ou mental/intelectual. O número representa 23,9% da população brasileira naquele ano.