
O Encontro de Docentes do Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA) trouxe para o centro do debate um dos temas mais atuais e desafiadores da educação contemporânea: Inteligência Artificial (IA), autoria e avaliação. A atividade reuniu professores de todos os cursos de graduação e técnico para refletir sobre os impactos da IA no processo de ensino-aprendizagem e, principalmente, sobre os novos dilemas que se impõem à docência diante de uma tecnologia que já faz parte da rotina dos estudantes.
O professor e mestre responsável pela discussão, Frederico Staib, aponta que o maior desafio para os docentes não está apenas no uso da ferramenta pelos estudantes, mas na necessidade de repensar os modelos de avaliação, uma vez que a Inteligência Artificial tem provocado mudanças profundas na forma como se lê, escreve e produz conhecimento.
“A inteligência artificial mudou tudo aquilo em que a gente acreditava sobre leitura e escrita. O dilema está justamente em mudar a forma de avaliar, em buscar outras estratégias para que a IA se torne uma aliada do processo educativo, e não algo que tentamos simplesmente evitar”, afirmou.
Durante a palestra, Staib também chamou atenção para o risco do uso inadequado da tecnologia, quando ela passa a ser utilizada como uma “muleta”, tanto por alunos quanto por professores. Para ele, o caminho está em aprender a usar a inteligência artificial a favor da docência, sem delegar completamente a ela as funções humanas.
“Ainda existe muita dificuldade em entender como utilizar a IA sem que tudo se torne automático. O desafio é usá-la como ferramenta de apoio, preservando o pensamento crítico, a autoria e a intencionalidade pedagógica”, explicou.
Ao avaliar a iniciativa institucional de promover esse tipo de debate logo no início do ano letivo, o palestrante foi enfático ao destacar sua relevância. “Essa formação dá um gás nos professores, traz novas ideias e ajuda todo mundo a começar o ano com o pé direito, mais preparado para os desafios que já estão postos”, pontuou.
A importância do tema também foi reforçada pelo pró-reitor acadêmico do UniFOA, professor Bruno Gambarato, que destacou a necessidade de os docentes vencerem a barreira inicial em relação à inteligência artificial.
“A IA é uma tecnologia que chegou para ficar e que só tende a crescer. Nossos estudantes já chegam à universidade com muita vivência nesse campo, e precisamos aproveitar isso ao máximo para fortalecer ainda mais a formação acadêmica”, ressaltou. Para ele, o papel do professor é fundamental na mediação desse processo, garantindo que a tecnologia seja usada de forma ética, crítica e pedagógica.
A reitora do UniFOA, professora Ivante Oliveira, destacou que o encontro representou um importante momento de reflexão coletiva sobre a docência no contexto atual.
“Nos reunimos em torno de um tema que não é apenas atual, mas urgente: inteligência artificial, autoria e avaliação. Três palavras que, juntas, nos provocam a repensar profundamente o que significa ensinar, aprender e formar pessoas em um mundo em transformação acelerada”, afirmou.
Segundo a reitora, os desafios impostos pelas tecnologias inteligentes reforçam a centralidade da profissão docente.
“António Nóvoa, Doutor em Ciências da Educação nos lembra que não há transformação na educação que não passe pela transformação da profissão docente. E isso ecoa ainda mais forte quando falamos de inteligência artificial”, destacou.
Ivante também ressaltou que, apesar dos avanços tecnológicos, a dimensão humana da educação permanece insubstituível.
“Nenhum algoritmo cria vínculos, percebe a insegurança no olhar de um estudante ou transforma uma dúvida em oportunidade de crescimento. Isso é trabalho docente. Isso é presença pedagógica”, pontuou.
O Encontro de Docentes reforça como a formação continuada de seus professores e como a construção de práticas pedagógicas alinhadas às transformações do mundo contemporâneo são importantes, colocando a inovação a serviço de uma educação crítica, ética e de qualidade.t







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