
A adoção responsável, segura e legal como garantia do direito de crianças e adolescentes à convivência familiar é o eixo central de um projeto de extensão desenvolvido no Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA). A iniciativa foi coordenada pela professora Daniele Do Val, do curso de Serviço Social, e ganhou ainda mais força com a produção de um documentário realizado em parceria com a Escola de Comunicação da instituição.
O interesse pelo tema da adoção está diretamente ligado à trajetória profissional da docente como assistente social. Ao longo de sua formação acadêmica e atuação na área, Daniele teve contato com diferentes realidades envolvendo crianças, adolescentes e famílias, especialmente nos espaços do sistema de garantia de direitos. “Durante o estágio, atuei na Vara da Infância e Juventude do Rio de Janeiro, onde pude acompanhar de perto os processos de habilitação para adoção, destituição do poder familiar e adoções. Depois, como assistente social, trabalhei em instituições de acolhimento, tanto na linha técnica quanto na gestão. Isso me permitiu conhecer, de um lado, as famílias adotivas e, de outro, as crianças e famílias biológicas que não podiam permanecer com seus filhos”, explica.
Essas vivências despertaram a preocupação em dar visibilidade à adoção como alternativa legítima de cuidado e proteção, sempre com foco na responsabilidade e na legalidade do processo. “A adoção responsável é aquela realizada de forma segura, dentro da lei, garantindo vínculos protetivos para crianças e adolescentes que, por diferentes motivos, não podem retornar à família biológica”, destaca a professora.
O projeto teve início em 2022, a partir de uma parceria com o Escritório da Cidadania, com o objetivo de apoiar a retomada das atividades do Grupo de Apoio à Adoção de Volta Redonda após o período de paralisação provocado pela pandemia. Posteriormente, a iniciativa passou a integrar os projetos de extensão curricularizada do UniFOA, fortalecendo sua atuação acadêmica e social.
Segundo Daniele, os grupos de apoio à adoção exercem um papel social fundamental. “Eles contribuem para o preparo de pessoas interessadas em adotar ou que já adotaram, funcionando como espaços de troca de experiências, escuta e informação. O grupo também atua na defesa do direito da criança e do adolescente à convivência familiar e comunitária, ajudando, inclusive, a evitar adoções malsucedidas”, afirma. De acordo com a docente, a participação nesses grupos é prevista legalmente como uma das etapas do processo de habilitação para adoção.
Durante os encontros, são debatidas dúvidas, expectativas, medos e desafios da parentalidade adotiva, além da desconstrução de preconceitos ainda presentes na sociedade. “Trabalhamos temas como adoção tardia, adoção interracial, adoção de grupos de irmãos, crianças com deficiência e aquelas que passaram por longos períodos de institucionalização. O grupo tem uma potência enorme para fortalecer famílias adotivas, oferecendo suporte emocional e informativo”, pontua.
Neste semestre, o projeto ganhou um novo formato com a produção de um documentário, resultado de uma parceria interdisciplinar com o curso de Publicidade e Propaganda. A proposta foi apresentada ao professor Edilberto Venturelli e à coordenação da Escola de Comunicação, que prontamente abraçaram a ideia. “O documentário apresenta histórias reais de famílias que participam do grupo de apoio, com diferentes configurações familiares, como famílias homoafetivas, monoparentais e famílias tradicionais. A proposta foi mostrar os desafios, os receios, mas também a potência e a beleza da adoção como forma legítima de constituição familiar”, explica Daniele.
Para o professor Edilberto Venturelli, a experiência foi enriquecedora também do ponto de vista pedagógico. “Esse tipo de produção está totalmente alinhado à nossa prática. Os alunos puderam vivenciar todas as etapas de um documentário — da roteirização à captação e edição — aplicando, na prática, os conhecimentos adquiridos em sala de aula”, destaca. Segundo ele, participaram estudantes de diferentes períodos do curso, do primeiro ao oitavo, o que reforça a capacidade técnica e criativa da Escola de Comunicação.
Além do aprendizado técnico, o professor ressalta o impacto humano da experiência. “O documentário apresenta uma realidade que muitas vezes não faz parte do cotidiano dos alunos. Isso amplia o olhar, desenvolve sensibilidade, empatia e uma escuta mais atenta. Essa humanização é essencial para formar comunicadores capazes de produzir uma comunicação ética, responsável e conectada às diferentes realidades sociais”, afirma.
O principal objetivo do projeto e do documentário, segundo Daniele, é sensibilizar a sociedade e combater preconceitos relacionados à adoção. “Queremos quebrar mitos e reforçar que a adoção é um recomeço. A criança não deixa de ter uma história, mas passa a reescrevê-la a partir de uma nova família, com proteção, cuidado e afeto”, conclui.
Assista ao documentário

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