Dengue: especialistas do UniFOA esclarecem as maiores dúvidas sobre a doença

dengue

A origem do Aedes aegypti, (o mosquito da dengue) segundo o Instituto René Rachou (Fiocruz Minas), surgiu na África (provavelmente na região nordeste), onde se espalhou para a Ásia e Américas, principalmente através do tráfego marítimo. Já no Brasil, chegou durante o século 18, provavelmente nas embarcações que transportavam escravos (navios negreiros), já que os ovos do mosquito podem resistir sem estar em contato com a água, por até um ano.

Por este motivo de grande resistência dos ovos do mosquito, faz com a proliferação do mosquito no Brasil seja muito alta, pois é um país tropical, tendo grandes volumes de chuvas e ao mesmo tempo muita incidência de sol, ocorrendo águas paradas, o que é ideal para as larvas do mosquito.

O ano de 2024 está sendo marcado como uma epidemia de dengue em todo o território brasileiro, causando superlotação em hospitais e até mortes pela doença.

Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2023 no Brasil, houve 1.094 óbitos por dengue, com 1.658.816 de casos prováveis. Em 2024 já houve 84 óbitos e 524.066 de casos prováveis.

Diante de uma doença que vem se agravando cada vez mais no país, automaticamente surgem dúvidas.

Para esclarecer as principais dúvidas sobre o tema, conversamos com o infectologista Luiz Sangenis e o biólogo Rodrigo Barbosa, professores dos cursos de Medicina e Ciências Biológicas do UniFOA.

Leia também:  Quer saber como passar em Medicina de primeira? Veja 12 dicas!

Professor Luiz, qual é a diferença entre os sintomas da dengue, Zika e Chikungunya?

Ambas são arboviroses, sendo doenças febris agudas e possuem características semelhantes, no entanto possuem diferenças entre uma e outra. A dengue possui febre alta na faixa de 39ºC, dor de cabeça, dor retro orbitária (atrás dos olhos), náuseas, vômitos, diarreia, dor no corpo (mialgia), prostração. Já a Zika é febre baixa ou inexistente, exantema (manchas vermelhas na pele), coceira e conjuntivite sem pus. E a Chikungunya é também febre alta, possíveis manchas nas peles e artralgia simétrica (onde dói em uma articulação, dói em outra também ao mesmo tempo).

A vacina Qdenga é segura?

A vacina Qdenga é segura, porém possui restrições. É feita com vírus vivo atenuado, tendo uma maior eficácia pela dengue do tipo 1 e o tipo 2, e menos eficaz pelo tipo 3 e tipo 4.

A Qdenga é imprópria para imunossuprimidos, pessoas com AIDS, quem faz uso de corticoides, idosos acima de 60 anos e crianças abaixo de 5 anos.

Existe outra vacina alternativa? Qual sua eficácia e restrições?

Sim, existe a vacina Dengvaxia, produzida pelo laboratório Sanofi. Ela imuniza contra os 4 tipos virais, mas sua eficácia é um pouco mais baixa do que a Qdenga. A principal restrição é que só deve ser utilizada por pessoas que já tiveram dengue previamente.

Qual é o tratamento atual para a dengue?

Leia também:  Com 2 artigos do Mestrado em Materiais, UniFOA é presença confirmada em congresso internacional

Não há um remédio específico para dengue. O tratamento é sintomático, focado na hidratação e controle da febre e dor. Em casos graves, é necessário identificar os sinais de alarme (dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramento de mucosa, pressão baixa, desorientação) e encaminhar imediatamente para o hospital para administração de soro intravenoso. O óbito por dengue é prevenível se os sinais de gravidade forem identificados e tratados a tempo.

 

Como podemos diferenciar o pernilongo do mosquito da dengue professor Rodrigo?

O pernilongo comum tem atividade noturna para sugar sangue, geralmente é aquele que a gente escuta no ouvido de madrugada, enquanto o Aedes aegypti, mosquito da dengue, tem atividade diurna. Além disso, o pernilongo não possui as características específicas do Aedes aegypti, que é o desenho de uma lira no tórax em branco e com umas pintas brancas nas pernas e nas antenas.

Existe uma outra espécie que é o Aedes albopictus, que também tem as pintas brancas e se parece bastante com o Aedes aegypti, mas ainda não se tem uma confirmação de transmissão aqui no Brasil.

O pernilongo comum (Culex quinquefasciatus), é poucos milímetros maior que o Aedes albopictus e o Aedes aegypti.

A dengue pode transmitir a COVID?

Não, o vírus da dengue não pode ser transmitido pela COVID-19. Não há evidências de que o vírus da dengue possa ser transmitido por mosquitos, pois ele se reproduz na glândula salivar dos mosquitos Aedes e não tem relação com o vírus da COVID-19.

Leia também:  UniFOA começa 2024 com inscrições abertas

A reprodução do mosquito da dengue é muito rápida?

Sim, em condições climáticas favoráveis, o ciclo de reprodução da dengue pode ser completado em apenas 7 dias, desde os ovos até o estágio adulto. As larvas são aquáticas, enquanto os adultos voam e exploram diferentes nichos.

Como o mosquito adquire o vírus da dengue?

O mosquito adquire o vírus da dengue ao sugar sangue de uma pessoa infectada. Quando a fêmea deposita seus ovos, o vírus é transmitido para eles, o que é chamado de transmissão vertical. Os ovos infectados resultam em mosquitos que também carregam o vírus da dengue.

Através de atitudes bem simples, como colocar areia nos vasos de plantas, manter as lixeiras bem fechadas, guardar as garras de cabeça para baixo e manter caixas d’água tampadas podemos combater o mosquito da dengue.

Em caso de sintomas da doença, procure imediatamente uma unidade médica.

Matéria escrita por Lucas Brandão com supervisão.

COMPARTILHAR

Leia também...

Escolha abaixo a melhor opção

Olá! Sou seu assistente Virtual. Posso te ajudar?

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Saiba mais.

Luciana Pereira Pacheco Werneck

Especialização em Gerenciamento de Projetos
Data de admissão: 01/02/2018
Disciplinas lecionadas

Luciana Pereira Pacheco Werneck

Especialização em Gerenciamento de Projetos
Data de admissão: 01/02/2018
Disciplinas lecionadas

Luciana Pereira Pacheco Werneck

Especialização em Gerenciamento de Projetos
Data de admissão: 01/02/2018
Disciplinas lecionadas