
Entre a medicina e a música, o professor e médico Dr. Geraldo Cardoso encontrou um ponto de equilíbrio que o acompanha há décadas. Especialista em Clínica Médica, Geriatria e Gerontologia, egresso e professor do Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA), ele também é bandolinista do grupo Arte do Choro, que se apresenta no próximo domingo, 26, durante mais uma edição do Festival Vale do Café, no Casarão da Fazenda Três Poços.
O concerto "O Choro e Suas Histórias" será realizado às 11h, no Centro Histórico-Cultural, reunindo clássicos do repertório do choro brasileiro e curiosidades sobre compositores e obras que ajudaram a construir um dos gêneros mais tradicionais da música nacional.
Embora seja reconhecido pela atuação na medicina e pela contribuição à formação de gerações de profissionais de saúde, a música faz parte da história de Geraldo muito antes da carreira médica.
"Eu toco violão desde adolescente. Depois que entrei para o curso de Medicina, acabei me afastando um pouco da música. Alguns anos depois de formado, minha esposa me presenteou com um bandolim. Meu avô e meu tio tocavam o instrumento, então resolvi aprender. E quem toca bandolim acaba encontrando naturalmente o choro", conta.
O reencontro com a música também marcou o início de uma nova trajetória artística. Ao lado de amigos apaixonados pelo gênero, ajudou a fundar o grupo Arte do Choro, que mantém sua formação atual há cerca de 16 anos e hoje reúne sete músicos.
O nome do conjunto também carrega uma história. Segundo o professor, a homenagem surgiu a partir de um dos primeiros integrantes do grupo, o luthier Maurício Barros, responsável pela construção artesanal de instrumentos musicais.
"Resolvemos chamar o conjunto de Arte do Choro por causa dele. Maurício fabrica violões, cavaquinhos e bandolins, inclusive alguns dos instrumentos que utilizo foram feitos por ele."
Ao longo dos anos, o grupo participou de apresentações em diferentes cidades do estado, incluindo edições anteriores do próprio Festival Vale do Café e do tradicional Café, Cachaça e Choro, em Vassouras.
Mais do que executar um repertório, o objetivo sempre foi preservar e apresentar o choro às novas gerações.
"O que caracteriza nossas apresentações é justamente reviver o choro. Queremos fazer com que os mais jovens conheçam essa genuína música brasileira. Tocamos em vários lugares para que o choro continue vivo."
Foi esse compromisso com a valorização do gênero que motivou o convite para integrar novamente a programação do Festival Vale do Café. Durante o espetáculo, além das interpretações musicais, o público conhecerá histórias sobre a origem das composições, curiosidades sobre seus autores e o contexto em que nasceram algumas das obras mais importantes do repertório brasileiro.
Para Geraldo, a música nunca esteve distante da profissão que escolheu exercer. Pelo contrário, ambas compartilham características que considera fundamentais.
"Eu vejo a medicina como ciência e técnica, mas também como arte. Ela envolve sensibilidade e relação entre pessoas. A música desenvolve essa sensibilidade e me ajuda a relaxar, a ficar mais tranquilo. Isso facilita muito a minha vida como médico e também como professor."
A apresentação do Arte do Choro integra a programação oficial do Festival Vale do Café e convida o público a percorrer, por meio da música e das histórias, parte importante do patrimônio cultural brasileiro, tendo como cenário o histórico Casarão da Fazenda Três Poços.

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