
A dor menstrual intensa, quando naturalizada ou pouco investigada, pode atrasar diagnósticos e prolongar o sofrimento de muitas mulheres. Foi a partir dessa reflexão que a Liga Acadêmica de Saúde da Mulher e da Criança, do curso de Enfermagem do UniFOA promoveu uma palestra sobre endometriose, com a participação da palestrante Stefani Furtado.
Durante o encontro, os estudantes discutiram os impactos da doença na vida das mulheres, as dificuldades no diagnóstico, o avanço dos sintomas e os desafios ainda presentes no acesso a exames, acompanhamento e tratamento adequado. A atividade também abriu espaço para reflexões sobre a importância de uma escuta mais atenta por parte dos profissionais de saúde.
Uma das participantes relatou ter se identificado com diversos pontos abordados na palestra, especialmente em relação à demora para chegar ao diagnóstico. Segundo ela, foram necessários atendimentos com diferentes médicos até que a endometriose fosse identificada, após exames mais específicos. A estudante também relatou dores incapacitantes, cansaço excessivo e impactos na rotina acadêmica e pessoal.
O relato aproximou o tema da realidade vivida por muitas mulheres e reforçou uma das mensagens centrais da palestra: a dor precisa ser acolhida, investigada e levada a sério. Além dos aspectos clínicos, o encontro também abordou a necessidade de uma anamnese mais completa, maior preparo profissional para identificação precoce e ampliação do debate sobre os caminhos de cuidado.
Para Rafaela Vidal Lacerda, estudante do 3º período, a forma como o tema foi conduzido contribuiu para a formação humana dos futuros profissionais.
“Trazer a delicadeza que a palestrante trouxe, com um olhar sutil e humano, mostra a sensibilidade que vamos precisar na nossa carreira futura. Foi muito interessante saber que, quanto mais cedo vêm o diagnóstico e o tratamento, maiores são as possibilidades de a pessoa ter uma vida plena”, afirmou.
A estudante Milena Amante Silva, também do 3º período, destacou que a palestra ampliou sua compreensão sobre a gravidade da endometriose.
“Trabalho em hospital e não sabia que era tão sério, nem que poderia atingir outros órgãos. Gostei muito porque agregou conhecimento e achei o assunto muito importante e necessário”, contou.
Professora orientadora da Liga Acadêmica, Márcia Bastos avaliou que atividades como essa são fundamentais para aproximar os estudantes de temas que exigem conhecimento científico, escuta e empatia.
“Momentos como este são fundamentais para a formação dos nossos estudantes. Além de proporcionar conhecimento científico, estimulam a escuta, a empatia e a capacidade de enxergar o paciente para além da doença”, afirmou.
Segundo Márcia, a Enfermagem tem papel importante no acolhimento das queixas e na identificação de sinais que precisam ser investigados.
“Na Enfermagem, precisamos compreender que a dor relatada por uma paciente deve ser acolhida e investigada, e que uma assistência qualificada começa muitas vezes com uma anamnese cuidadosa e um olhar atento”, destacou.
A professora também agradeceu à palestrante pela condução da atividade e aos estudantes pela participação.
“Agradeço à Stefani Furtado pela disponibilidade, pela sensibilidade e pela riqueza das informações compartilhadas, e aos nossos estudantes pela participação e pela abertura para aprender e refletir”, completou.
Discutir a endometriose a partir de informação, experiência e sensibilidade, a palestra reforçou a importância de formar profissionais preparados para reconhecer sintomas, ouvir as pacientes e contribuir para um cuidado mais humano. Mais do que falar sobre uma doença, o encontro lembrou que a qualidade da assistência começa quando a dor de uma mulher deixa de ser minimizada.

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