
Para uma pessoa acamada ou hospitalizada, tarefas simples do cotidiano podem depender do auxílio de familiares, cuidadores ou profissionais de saúde. A higiene da boca está entre esses cuidados e, quando comprometida, pode favorecer o aparecimento de diferentes alterações na saúde bucal.
Esse cenário será trabalhado por estudantes de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Odontologia do Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA) no projeto “Cuidando de Vidas: Procedimentos odontológicos em pacientes acamados”. A iniciativa reunirá conhecimentos das áreas de Saúde e Comunicação para produzir materiais de orientação destinados a pacientes, familiares e cuidadores.
Entre as produções previstas estão uma cartilha, vídeos, conteúdos para redes sociais e podcasts. Os materiais abordarão temas como higiene bucal, cuidados com próteses, alterações da cavidade oral, sinais de alerta e situações que exigem atenção profissional.
A proposta considera as dificuldades enfrentadas por pessoas com mobilidade reduzida ou menor capacidade de autocuidado. Nessas condições, a higiene pode se tornar mais difícil e favorecer o acúmulo de biofilme e o surgimento de alterações como gengivite, periodontite, cáries, candidíase, xerostomia e halitose.
O conteúdo também tratará da atuação do cirurgião-dentista no ambiente hospitalar e domiciliar, além de cuidados relacionados a pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), pessoas com disfagia, pacientes oncológicos, indivíduos em cuidados paliativos e pessoas com limitações cognitivas.
Para construir os materiais, os estudantes de Odontologia ficarão responsáveis principalmente pelo conteúdo técnico e científico. Já os alunos da Escola de Comunicação atuarão no planejamento, na adaptação das informações para diferentes formatos, na produção audiovisual, na edição e na divulgação.
Para o professor Edilberto Venturelli, da Escola de Comunicação, o contato entre áreas diferentes também amplia aquilo que o estudante aprende durante o desenvolvimento da atividade.
“É extremamente importante trabalhar com áreas diversas, porque essa troca permite diversificar os pensamentos e ter contato com conhecimentos que não fazem parte da nossa área de expertise. Isso nos ajuda a desenvolver novas habilidades e conhecer novas técnicas”, afirmou.
A professora Fernanda Baião, do curso de Odontologia, explica que essa divisão de responsabilidades foi pensada desde a estruturação do projeto.
“Nosso projeto foi pensado justamente para que cada curso pudesse contribuir com o que tem de melhor. A Odontologia entra com o conhecimento técnico e científico, enquanto a Comunicação contribui para transformar esse conteúdo em uma comunicação mais acessível, moderna e atrativa”, declarou.
Além da cartilha, o projeto prevê acompanhamento presencial das atividades, produção e edição de fotografias e vídeos, conteúdos para as redes sociais dos cursos e registros de bastidores.
Os podcasts também farão parte dessa produção e deverão reunir estudantes e professores das duas áreas para ampliar as discussões sobre saúde bucal de pacientes acamados e hospitalizados.
Ao trabalhar com públicos que nem sempre conseguem realizar sozinhos a própria higiene, os estudantes também precisarão pensar além do conteúdo técnico. A informação precisa chegar de maneira compreensível a quem estará diretamente envolvido no cuidado.
É justamente nesse ponto que o projeto transforma o conhecimento produzido no ambiente acadêmico em materiais educativos que irão contribuir na orientação de pacientes, familiares e cuidadores sobre a importância dos cuidados com a saúde bucal durante o período de recuperação.

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