
A aprovação em uma residência multiprofissional exige mais do que domínio teórico. Em provas cada vez mais voltadas à análise de casos clínicos, o candidato precisa interpretar contextos, tomar decisões e demonstrar capacidade de atuação diante de situações reais. Foi nesse cenário que Sarah Emanuelle Almeida, egressa do curso de Nutrição do Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA), conquistou o 1º lugar no programa de Residência Multiprofissional Integrada em Atenção Hospitalar da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), na área de Nutrição.
Formada em 2023, Sarah prestou o Exame Nacional de Residências em 2023, mas não obteve aprovação naquele primeiro momento. Em 2025, voltou a fazer a prova e conquistou uma das duas vagas ofertadas para Nutrição no programa de Atenção Hospitalar da UFJF, ocupando a vaga de ampla concorrência.
A conquista ganha ainda mais peso pela concorrência do processo seletivo e pela exigência da prova. Para Sarah, o resultado foi construído por um conjunto de fatores que envolveu graduação, preparação, experiência profissional e amadurecimento ao longo da trajetória.
“O que fez muita diferença, além dos cursos e do preparatório, foi a minha experiência atuando como nutricionista. A graduação nos ajuda muito, principalmente na parte teórica, mas hoje a prova exige que você enxergue o paciente como um todo, analise bem os casos clínicos, saiba tomar decisões e seja resolutivo como nutricionista”, contou.
Depois de concluir a graduação, Sarah acumulou experiências em diferentes frentes da Nutrição. Atuou como nutricionista clínica em consultórios, com atendimentos em três cidades, passou pela área de alimentação coletiva e também trabalhou como nutricionista escolar. Além disso, cursou a pós-graduação em Terapia Nutricional do Adulto (CeTNuT), formação que ampliou sua preparação para atuar tanto em contextos clínicos quanto hospitalares.
“Foi um conjunto de coisas. O conhecimento da graduação, os preparatórios, a experiência de trabalho e a pós-graduação ajudaram muito. No último exame, a prova veio com muita aplicação de casos clínicos. Era preciso saber qual a melhor conduta para aquele paciente e como conduzir cada situação”, explicou.
Durante a graduação no UniFOA, algumas vivências foram importantes para aproximar a estudante da prática profissional e da produção científica. Entre elas, Sarah destaca o estágio em Nutrição Clínica na área hospitalar, realizado no Hospital Municipal Dr. Munir Rafful, onde teve contato com a rotina do atendimento nutricional em ambiente hospitalar.
Ao recordar esse período, ela associa a experiência prática ao suporte recebido durante a formação.
“O estágio voltado para a Nutrição Clínica na parte hospitalar foi muito bom. Tive uma excelente preceptora, a Letícia Carelli, que sempre deu muita base teórica e prática para a gente. Foi realmente uma experiência maravilhosa”, afirmou.
A trajetória acadêmica também foi marcada pela participação em liga acadêmica, projetos de pesquisa, iniciação científica e apresentação de trabalhos. Sarah integrou a Liga Acadêmica de Educação Nutricional (LAEN) e desenvolveu pesquisas relacionadas à “Influência do Instagram entre mulheres no comportamento alimentar e insatisfação corporal” e “Risco de transtorno alimentar e preocupações com a imagem corporal em mulheres com deficiência visual”.
Ambos os projetos foram desenvolvidos com a professora Mariana Portugal e um deles foi apresentado no Congresso Brasileiro de Nutrição (CONBRAN) em 2022. Outro deu origem ao Trabalho de Conclusão de Curso, com coleta de dados na Escola Municipal Especializada Dr. Hilton Rocha em Volta Redonda e no Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro, o qual posterior a graduação foi transformado em artigo e publicado na Revista DEMETRA da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
“Eu desenvolvi dois projetos de pesquisa. Um deles foi sobre a influência do Instagram no comportamento alimentar e insatisfação corporal entre mulheres, desenvolvido com a professora Mariana Portugal e com a posterior participação do professor Alden. Foi um projeto incrível de iniciação científica. Depois, no TCC, trabalhei com insatisfação corporal e risco de transtornos alimentares em mulheres com deficiência visual. Foi muito importante, porque a gente coloca em prática o conhecimento da Nutrição e vai agregando experiências”, relatou.
Nesse percurso, Sarah destaca o papel de professores que incentivaram sua aproximação com a pesquisa e com a continuidade da formação acadêmica. A professora Mariana Portugal foi uma das primeiras incentivadoras na iniciação científica. Já o professor Alden Neves acompanhou parte da trajetória, orientou o TCC após a saída de Mariana da instituição e estimulou a egressa a participar de congressos. Ambos foram grandes incentivadores para buscar a residência e mestrado.
“O Alden sempre foi um grande incentivador. O CONBRAN foi ideia dele. Sobre residência, ele sempre falava: ‘Sarah, faz residência, você vai gostar, você vai ser feliz, você tem todo o perfil’. Tudo que eu fazia na faculdade, mesmo quando era uma ideia pequenininha, ele já via aquela ideia gigante”, contou.
A parceria acadêmica entre Sarah, Mariana e Alden também resultou em um trabalho apresentado no UniFOA. Um dos projetos iniciados na iniciação científica foi posteriormente transformado em artigo e apresentado no Congresso Tudo é Ciência, da FOA. O professor Alden também participou da orientação do TCC, fortalecendo uma relação de troca e construção ao longo da formação.
Para estudantes que desejam conquistar uma vaga em programas de residência, Sarah resume a preparação em três pontos: dedicação, constância e paciência. Segundo ela, aproveitar bem a graduação, participar de atividades práticas, buscar cursos e se envolver em experiências acadêmicas torna o caminho mais leve e consistente.
“O principal conselho é dedicação. Estudar é essencial, porque são provas complexas, que exigem muitos conhecimentos aplicados na prática. Participar de atividades práticas dentro da faculdade e de atividades externas vai te dando uma bagagem e te preparando aos poucos. Quando você aproveita a graduação desde o início, esse processo se torna mais leve”, afirmou.
A aprovação em 1º lugar na residência marca uma nova etapa na trajetória da egressa e também evidencia a importância de uma formação que aproxima teoria, prática, pesquisa e incentivo docente. Mais do que o resultado de uma prova, a conquista mostra como experiências acumuladas ao longo da graduação podem seguir abrindo caminhos depois do diploma.
Para Sarah, a residência não representa apenas uma vaga conquistada. É a continuidade de uma trajetória construída entre sala de aula, estágio, pesquisa, trabalho e amadurecimento profissional. Uma caminhada que começou no UniFOA e agora avança para uma nova etapa na atenção hospitalar.

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