HomeNotícias
Catraca inteligente criada por estudante de Engenharia reconhece EPIs e reforça segurança em áreas de risco 

Catraca inteligente criada por estudante de Engenharia reconhece EPIs e reforça segurança em áreas de risco 

epi

Em áreas de risco, um capacete esquecido, um óculos de proteção deixado de lado ou uma entrada liberada sem conferência podem transformar segundos de descuido em acidente. Foi a partir desse problema real da indústria que o grupo de Vitor Oliveira, Nicolle Alves, Samuel Pires, Artur Aguiar, Roberto Neto e Matheus Martins, estudantes de Engenharia do Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA), desenvolveu um protótipo de catraca inteligente capaz de reconhecer o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) antes de permitir o acesso a determinados ambientes. 

A ideia nasceu da vontade de aplicar a tecnologia a uma situação concreta da segurança do trabalho. Em vez de depender apenas da conferência visual feita por uma pessoa, o sistema utiliza visão computacional, inteligência artificial e automação para verificar se o trabalhador está usando os equipamentos obrigatórios antes de liberar a entrada. 

“A ideia surgiu da vontade de tirar a tecnologia da tela do computador e usar ela para resolver um problema bem real: a segurança do trabalhador. Eu queria juntar visão computacional com controle de acesso físico, garantindo que as regras de segurança fossem cumpridas de forma automática, sem depender da atenção humana. Foi a chance perfeita de unir a teoria da engenharia com a prática do código”, explicou Vitor. 

Na prática, o protótipo funciona a partir da integração entre software e hardware. Uma câmera captura a imagem da pessoa em tempo real. Em seguida, um código desenvolvido em Python, com uso do modelo YOLOv8, analisa se os EPIs exigidos estão sendo utilizados. Caso tudo esteja correto, o sistema envia um sinal ao Arduino, que aciona o mecanismo físico responsável por liberar a catraca ou a porta. Se algum equipamento estiver ausente, o acesso é bloqueado. 

Nesta etapa do projeto, o sistema foi treinado para reconhecer quatro itens considerados essenciais em ambientes industriais e canteiros de obras: óculos de proteção, luva, colete e capacete. 

“Eles cobrem boa parte dos riscos do dia a dia e serviram como prova de conceito ideal para validar a ideia”, destacou o estudante. 

Além do controle de acesso, o projeto também registra cada evento em um banco de dados, com identificação, horário e quantidade de infrações. Para ampliar a capacidade de acompanhamento, Vitor e seu grupo desenvolveram ainda um dashboard em Streamlit, que permite ao supervisor visualizar o histórico de ocorrências, identificar quais funcionários aparecem com mais frequência nos registros e acompanhar, em tempo real, a conformidade no uso de EPIs. 

Para Nicolle Alves, um dos maiores desafios foi fazer a tecnologia sair do ambiente virtual e interagir com o mundo físico. 

“Foi desafiador, mas muito gratificante. A mágica acontece quando você percebe que não está só corrigindo código, mas ajustando como o mundo físico reage a esse código. Fazer o modelo de inteligência artificial em Python conversar com os relés e sensores do Arduino exigiu bastante paciência e muitos testes. Unir a lógica de análise com a visão estrutural da Engenharia Mecânica fez toda a diferença para criar algo que não é só um brinquedo tecnológico, mas uma ferramenta real de segurança do trabalho”, afirmou. 

O professor Italo Pinto Rodrigues, acompanhou o desenvolvimento do projeto e destacou a capacidade do estudante de transformar uma demanda real da indústria em uma solução tecnológica com sustentação técnica. 

“O que mais chamou atenção foi a capacidade dos estudantes de transformar um problema real da indústria em uma solução tecnológica. O projeto não ficou apenas no campo da ideia. Eles conseguiram desenvolver um protótipo baseado em visão computacional para reconhecimento de Equipamentos de Proteção Individual, com potencial de aplicação em diferentes ramos industriais. Isso demonstra maturidade técnica, criatividade e compreensão das demandas atuais do setor produtivo”, avaliou. 

Segundo Italo, protótipos como esse são importantes porque aproximam os alunos da prática profissional da Engenharia. Ao desenvolver uma solução funcional, o estudante precisa integrar diferentes áreas do conhecimento, testar hipóteses com modelagem e simulação, lidar com restrições reais, tomar decisões técnicas e validar resultados. 

“Esse tipo de protótipo contribui para uma formação mais completa. O estudante deixa de ser apenas receptor de conteúdo e passa a atuar como alguém capaz de propor, desenvolver e avaliar soluções para problemas concretos da sociedade e do mercado”, destacou. 

Durante o desenvolvimento, a equipe trabalhou competências ligadas à programação, modelagem, simulação, controle, eletricidade, sensores virtuais, prototipação eletrônica e análise de dados. O projeto também exigiu comunicação técnica e escrita científica, já que foi necessário apresentar o problema, justificar a solução, organizar resultados e demonstrar o funcionamento do sistema. 

Para Italo, essa combinação mostra que a formação em Engenharia vai além do domínio de conteúdos isolados. 

“Competência não é apenas saber um conteúdo. Competência envolve mobilizar conhecimentos, habilidades e atitudes para resolver situações reais de forma responsável, crítica e eficaz. Esse projeto favoreceu uma aprendizagem aplicada, interdisciplinar e alinhada ao perfil esperado de um engenheiro capaz de atuar em contextos tecnológicos complexos”, explicou. 

O protótipo também aponta para possibilidades de aplicação real em empresas. Para Vitor, a solução tem relação direta com a Indústria 4.0 e pode ser utilizada em fábricas, mineradoras e grandes obras, onde a fiscalização visual pode falhar por cansaço, distração ou volume de pessoas. 

“O que desenvolvi tem cara de Indústria 4.0. É escalável e barato de implementar perto dos benefícios que traz. Em locais onde a fiscalização humana pode falhar, ter um sistema automatizado na portaria que não deixa ninguém entrar sem os EPIs corretos, junto com um dashboard que dá ao supervisor visibilidade total das infrações, é um divisor de águas. Ajuda tanto a evitar acidentes quanto a garantir que normas como a NR-6 sejam cumpridas à risca”, afirmou. 

Para o professor Ítalo, o projeto mostra como a universidade pode atuar como espaço estratégico para a inovação aplicada, aproximando ensino, tecnologia e demandas reais do mercado. 

“Quando os estudantes são desafiados a resolver problemas reais, eles conseguem articular conhecimento acadêmico, criatividade e demandas do mercado. Nesse caso, o desenvolvimento de um protótipo para reconhecimento de EPIs evidencia como a formação em Engenharia pode dialogar diretamente com temas relevantes para a indústria, como segurança do trabalho, automação, inteligência artificial e transformação digital”, afirmou. 

No fim, a catraca inteligente desenvolvida pela equipe de Vitor mostra que a Engenharia ganha força quando deixa de ser apenas cálculo, código ou circuito e passa a responder a uma necessidade concreta. Ao reconhecer EPIs antes de liberar o acesso, o projeto transforma tecnologia em cuidado, aprendizado em solução e inovação em uma forma prática de proteger vidas no ambiente de trabalho. 

Informações da publicação
Publicado em 07/07/2026
Atualizado em 07/07/2026
Compartilhar em

As últimas notícias

Campus UniFOA
Olezio Galotti
Av. Dauro Peixoto Aragão, 1325 Três Poços - Volta Redonda - RJ CEP 27240-560
Tel.: (24) 3340-8400
Porfírio José de Almeida
Av. Lucas Evangelista, 862 Aterrado - Volta Redonda - RJ CEP 27215-630
Tel.: (24) 3344-1412
Colina | Anexo ao Hospital João Batista
Rua Nossa Senhora das Graças, 273 Colina - Volta Redonda - RJ CEP 27253-223
Tel.: (24) 3340-8437

Copyright © – UniFOA | Todos os direitos reservados à Fundação Oswaldo Aranha

Política de Privacidade | Compliance

crossmenu
Escolha abaixo a melhor opção

Olá! Sou seu assistente Virtual. Posso te ajudar?